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este silêncio em que a angústia se enrola no pescoço e me pendura no lugar de um cortinado. preciso de uma cidade inteira, uma lâmina para dentro do meu peito e, depois, um tumor maligno com que possa conviver para sempre. preciso de uma cama de madeira fechada com pregos, um armazém vazio com um ringue ao centro e apenas eu contra deus. o eco da solidão a entrar pela caverna de cristo e um gato ferido a morrer aos meus pés. apenas olhos em estilhaços, vidros de uma cidade que decide sucumbir ao vazio. onde quer que estejas plantarás uma flor e enquanto a vires secar supões ter desviado os doces rios que correm dos meus pulsos para dentro da tua boca. preciso de mim, do que resta dos meus olhos, da vossa boca a arrancar-me os braços para que nunca mais, na ausência, um abraço. |
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