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sob a forma de costelas e dentro do mar o absinto preto mal diluído. ainda gatos velhos a incendiar o peito com fósforos vazios na boca. quando era mais novo armazenava corações nas escarpas. deixava-os corroer o céu da boca até chegar ao cérebro e cuspia para dentro de uma garrafa de plástico cortada ao meio onde antes o meu pai guardara o tecido morto das fotografias e a parede do corredor. pessoas desconhecidas a penetrar na caixa de ar das casas antigas com vozes próprias, com pontes próprias através dos dentes. às vezes o crânio a explodir cores secas e uma espécie de sangue a partir a paleta no tapete. o senhorio acabado de morrer. o meu corpo mais pequeno a dobrar as esquinas sucessivas das casas, das camas partidas com homens pequenos abraçados a uma almofada vermelha com vértices de vidro. os olhos dentro de um copo de plástico para diluir as lágrimas que restam a um corpo feito de cinzas. a solidão com arranjos de mármore a definir o espaço físico da morte. os retratos abandonados no chão, nas ruínas de uma casa sem gente que saiba chorar, sem animais que dêem pela falta de uma cama de hospital emprestada para um final feliz. |
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